O cacto-amendoim, tradicionalmente identificado como Chamaecereus silvestrii e também classificado como Echinopsis chamaecereus, é uma espécie compacta, ramificada e conhecida por sua floração intensa.
Seus caules alongados lembram pequenos amendoins ou dedos verdes e formam agrupamentos que se espalham pelas bordas do vaso. Durante a floração, surgem grandes flores alaranjadas ou vermelho-alaranjadas que podem cobrir boa parte da planta.
Por seu porte reduzido e facilidade de propagação, é um dos tipos de cactos mais interessantes para vasos rasos, jardineiras e cestos suspensos.
Neste guia, você conhecerá a história do cacto-amendoim e aprenderá como cuidar da planta para estimular um crescimento saudável e uma floração abundante.
Nome científico e classificação
A classificação do cacto-amendoim passou por diferentes alterações ao longo do tempo. Por isso, a mesma planta pode aparecer com nomes científicos distintos.
- Família: Cactaceae
- Nome tradicional: Chamaecereus silvestrii (Speg.) Britton & Rose
- Nome aceito pelo Plants of the World Online: Echinopsis chamaecereus H.Friedrich & Glaetzle
- Nome popular: cacto-amendoim
Entre os sinônimos encontrados em livros, catálogos e etiquetas de viveiros estão:
- Cereus silvestrii Speg.;
- Chamaecereus silvestrii (Speg.) Britton & Rose;
- Lobivia silvestrii (Speg.) G.D.Rowley;
- Echinopsis chamaecereus H.Friedrich & Glaetzle.
Não existe uniformidade absoluta entre as bases botânicas. Algumas reconhecem Echinopsis chamaecereus, enquanto outras mantêm Chamaecereus silvestrii. Ambos os nomes são encontrados atualmente, mas se referem à mesma espécie cultivada como cacto-amendoim.
História taxonômica
A espécie foi descrita por Carlo Luigi Spegazzini como Cereus silvestrii em 1905. Posteriormente, Nathaniel Lord Britton e Joseph Nelson Rose transferiram a planta para o gênero Chamaecereus, publicando a combinação Chamaecereus silvestrii em 1922.
Em 1983, H. Friedrich e W. Glaetzle publicaram o nome Echinopsis chamaecereus. Essa classificação é utilizada por bases que incorporam o antigo gênero Chamaecereus a Echinopsis.
Origem e etimologia
O cacto-amendoim é nativo do noroeste da Argentina, especialmente da região de Tucumán. Em seu ambiente natural, está associado a áreas secas e montanhosas.
O epíteto silvestrii homenageia o entomologista italiano Filippo Silvestri, contemporâneo de Carlo Luigi Spegazzini.
Características do cacto-amendoim
A espécie apresenta crescimento baixo e rasteiro, formando agrupamentos de numerosos caules. A planta normalmente não ultrapassa 10 centímetros de altura, mas pode se espalhar lateralmente pelo vaso.
Os caules são verde-claros, cilíndricos e segmentados, medindo aproximadamente 1 a 2 centímetros de espessura. Como se quebram com facilidade, pequenos segmentos podem se desprender durante o transporte ou transplante.
Cada caule apresenta entre 8 e 10 costelas pouco profundas. As aréolas produzem pequenos espinhos brancos e macios, que dão à superfície uma aparência delicadamente eriçada.
Flores
As flores são grandes em relação ao tamanho dos caules, com formato de funil e coloração que varia do laranja ao vermelho-vivo. Em boas condições, podem surgir em grande quantidade durante a primavera e o verão.
A floração depende de bastante luminosidade, maturidade da planta e um período de repouso mais fresco e seco. Exemplares mantidos o ano inteiro em locais quentes, sombreados e constantemente úmidos podem crescer sem produzir flores.
Como cuidar do cacto-amendoim
O cultivo é relativamente simples. Os pontos mais importantes são fornecer boa luminosidade, utilizar substrato drenável e ajustar as regas conforme a fase de crescimento.
Luminosidade
O cacto-amendoim prefere sol pleno ou luz muito intensa. Uma boa exposição ajuda a manter os caules compactos e favorece a formação de botões florais.
Em regiões com verões muito quentes, ofereça sol da manhã e proteção durante as horas mais intensas da tarde. A planta possui caules relativamente finos e pode sofrer queimaduras quando é exposta repentinamente ao sol forte.
Faça a aclimatação gradualmente. Dentro de casa, coloque o vaso próximo à janela mais iluminada disponível.
Substrato
Utilize um substrato leve, poroso e com drenagem rápida. Uma mistura para cactos pode receber perlita, pedra-pomes, pedrisco ou areia grossa para reduzir a retenção excessiva de água.
Evite terra compacta e misturas ricas em matéria orgânica. As raízes precisam de circulação de ar e não devem permanecer molhadas por longos períodos.
Rega
Durante a fase de crescimento, regue profundamente e permita que a água escorra pelos furos do vaso. Espere o substrato secar completamente antes de molhar novamente.
Não verifique apenas a metade superior do recipiente. A parte inferior pode continuar úmida, especialmente em vasos plásticos, ambientes internos ou regiões com pouca ventilação.
No inverno ou durante um repouso sob temperaturas mais baixas, reduza bastante as regas. Mantenha o substrato praticamente seco, mas observe a planta em vez de seguir uma suspensão absoluta em qualquer clima.
Um leve enrugamento durante o repouso pode ser normal. Caules muito moles, escuros ou translúcidos, entretanto, podem indicar apodrecimento.
Temperatura e repouso
O cacto-amendoim tolera temperaturas mais baixas do que muitas espécies tropicais quando está seco, mas deve ser protegido contra geadas fortes, umidade fria e mudanças repentinas.
Um período fresco, seco e bem iluminado durante o inverno pode favorecer a floração seguinte. Não deixe o vaso exposto à chuva contínua durante essa fase.
Vaso
Como a planta possui crescimento baixo e raízes relativamente superficiais, adapta-se bem a vasos rasos, jardineiras e cestos suspensos.
O recipiente deve ter furos de drenagem. Escolha uma largura que permita a expansão dos caules, mas evite vasos muito maiores do que o sistema radicular.
Adubação
Durante a estação de crescimento, aplique um fertilizante equilibrado para cactos em baixa concentração duas ou três vezes.
Não adube durante o repouso, nem quando a planta estiver desidratada, recém-transplantada ou com raízes danificadas. Evite fertilizantes ricos em nitrogênio, que podem estimular caules fracos e alongados.
Como replantar
O transplante deve ser realizado quando o agrupamento ocupar todo o vaso, quando as raízes estiverem muito compactadas ou quando o substrato perder a capacidade de drenagem.
Os caules quebram com facilidade. Apoie o agrupamento com cuidado e não tente separar todas as ramificações durante o procedimento.
Depois do transplante, espere alguns dias antes de regar. Esse intervalo permite que eventuais lesões nas raízes cicatrizem.
Como fazer mudas do cacto-amendoim
A propagação por segmentos ou brotações laterais é simples e costuma ser mais rápida do que a reprodução por sementes.
- Retire um segmento saudável ou aproveite um caule que tenha se soltado naturalmente;
- Deixe a região cortada cicatrizar em local seco e sombreado por alguns dias;
- Coloque o segmento sobre um substrato drenável ou enterre apenas sua base;
- Mantenha-o em local claro, protegido do sol intenso;
- Umedeça o substrato com moderação até a formação das raízes.
A espécie também pode ser propagada por sementes. Consulte nosso guia geral sobre como fazer mudas de cactos.
Como estimular a floração
- Ofereça várias horas de luz intensa por dia;
- Faça a adaptação ao sol gradualmente;
- Mantenha a planta mais seca e fresca durante o repouso;
- Evite excesso de nitrogênio;
- Não utilize vasos grandes demais;
- Espere a planta atingir maturidade suficiente.
Depois que os botões surgirem, evite mudanças bruscas de posição, luminosidade e frequência de rega.
Pragas e problemas comuns
Cochonilhas
Cochonilhas podem se esconder entre os caules, nas aréolas e nas raízes. Inspecione o agrupamento regularmente e mantenha plantas novas separadas da coleção durante algumas semanas.
Apodrecimento
Caules escuros, moles ou translúcidos indicam excesso de umidade ou apodrecimento. Remova as partes comprometidas e preserve os segmentos firmes e saudáveis para propagação.
Caules alongados e frágeis
O crescimento fino, pálido e espaçado indica falta de luminosidade. Aumente a exposição gradualmente para melhorar o desenvolvimento dos novos caules.
Ausência de flores
A falta de flores pode estar relacionada à pouca luz, ausência de repouso, excesso de fertilizante, planta ainda jovem ou temperaturas constantemente elevadas.
Formas e híbridos
Forma cristata
A forma cristata apresenta crescimento em leque, provocado por uma alteração no ponto de crescimento. Sua manutenção é semelhante à da forma comum, embora as dobras possam acumular umidade e esconder cochonilhas.
Forma lutea
A forma amarela, frequentemente chamada de lutea, possui pouca ou nenhuma clorofila. Por isso, normalmente precisa ser enxertada sobre outro cacto verde para sobreviver.
Híbridos ×Chamaelobivia
O cacto-amendoim foi utilizado em cruzamentos com plantas tradicionalmente classificadas como Lobivia ou Echinopsis. Esses híbridos são conhecidos no comércio pelo nome hortícola ×Chamaelobivia.
Eles podem produzir flores brancas, amarelas, rosadas, vermelhas, violetas ou bicolores. Nomes como ‘Annie’, ‘Yellow Bird’, ‘Rose Quartz’ e ‘Violet’ são encontrados em coleções, mas a disponibilidade e a identificação podem variar entre viveiros.
Para conhecer outro representante do grupo, veja o Echinopsis oxygona, conhecido como lírio-da-Páscoa.
Resumo dos cuidados
- Nomes científicos usados: Chamaecereus silvestrii e Echinopsis chamaecereus
- Nome popular: cacto-amendoim
- Origem: noroeste da Argentina
- Porte: até aproximadamente 10 centímetros de altura, com crescimento lateral
- Iluminação: sol pleno ou luz intensa, com proteção nas tardes muito quentes
- Rega: depois que o substrato secar completamente
- Substrato: leve, poroso e bem drenado
- Adubação: leve, durante o crescimento
- Propagação: segmentos, brotações laterais ou sementes
- Floração: primavera e verão, após repouso fresco e seco
O cacto-amendoim combina porte compacto, propagação simples e flores grandes em relação aos caules. Com luz intensa, substrato drenável, regas espaçadas e um período de repouso, pode formar grandes agrupamentos e florescer abundantemente.
